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Reforço de fundações pode corrigir prédios inclinados

Quem passeia pela orla de Santos, no litoral paulista, não tem como não notar os prédios tortos que se tornaram atração turística da cidade. São 65 edifícios com inclinações entre 0,5 m a 1,8 m medidas entre a base e o topo. Moradia de aproximadamente 16 mil pessoas, esses edifícios vêm sendo monitorados de perto, já que estão mais suscetíveis a patologias estruturais que podem ir de fissuras e rachaduras ao colapso estrutural.

Casos como os dos edifícios santistas e tantos outros com inclinações acentuadas podem ser corrigidos ou controlados com reforço de fundações. A utilização de estacas mega e de estacas raiz, por exemplo, são algumas das opções mais recorrentes.

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Orla de Santos, em São Paulo, tem prédios tortos (cifotart/ Shutterstock.com)

FUNDAÇÕES DIRETAS

O motivo de tais transtornos – que geram apreensão entre a população e uma desvalorização considerável dos imóveis – é conhecido. O engenheiro Paulo Pimenta, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), conta que, na época da construção desses edifícios, optou-se pelo uso de sapatas apoiadas em camada de areia de média compactação. Abaixo dessa camada de areia havia uma camada de argila mole que, com o passar do tempo e com as cargas recebidas pelo conjunto de edificações, se adensou.

“Os projetistas sabiam que, se utilizassem fundações rasas, apresentariam recalques. Eles só não imaginaram que seriam dessa magnitude”, comenta Pimenta. De acordo com o professor, se as obras tivessem utilizado fundações profundas, as construções não teriam ficado inclinadas.

REFORÇO COM ESTACAS MEGA

Os projetistas sabiam que, se utilizassem fundações rasas, apresentariam recalques. Eles só não imaginaram que seriam dessa magnitude

Paulo Mattos Pimenta

As estacas mega, também conhecidas como estacas de reação, consistem no cravamento de cilindros de metal ou de concreto pré-fabricado sob a fundação existente. Alexandre Novaes, engenheiro da Engestac, explica que esse tipo de solução possibilita uma obra mais limpa e a aplicação em locais com espaço reduzido, uma vez que o equipamento para cravação é relativamente pequeno.

Outras vantagens desse sistema de reforço são a utilização de elementos pré-fabricados (o que evita a injeção de água e/ou de nata de cimento, encharcando o subsolo) e a possibilidade de cravação de estacas inclinadas. “Há, ainda, a rapidez na aplicação. É possível executar de quatro a 5 estacas por dia a uma profundidade de 10 metros”, cita o engenheiro Alexandre Novaes, diretor da Engestac.

REFORÇO COM MICROESTACAS

Desenvolvidas inicialmente para contenção de encostas, as estacas raiz, também conhecidas como microestacas, são outra opção usual para reforço de fundações. Moldadas in loco, essas estacas são executadas através de perfuração rotativa ou roto-percussiva, revestida integralmente no trecho em solo por tubo metálico, o que garante a estabilidade da perfuração. Seu processo executivo consiste, basicamente, de perfuração, instalação de armadura, injeção de argamassa e extração do revestimento.

As estacas raiz têm como principal vantagem o uso de equipamentos de pequeno porte, sendo indicadas também para locais de difícil acesso. O sistema, no entanto, realiza a perfuração com circulação de água, o que fluidifica o solo. A depender das condições geotécnicas, isso pode demandar ações extras, como o escoramento das fundações antes de iniciados os serviços. Tanto as estacas-raiz quanto as mega não ocasionam vibrações durante sua execução – daí sua indicação em edifícios já construídos.

PROJETO PIONEIRO

Técnicas de reforço de fundações como as estacas raiz e as estacas mega podem ser utilizadas em conjunto com o macaqueamento do edifício. Essa solução foi utilizada no edifício Núncio Malzoni, o único da orla de Santos que se submeteu a intervenções para correção da inclinação até o momento.

Outros fatores que influenciam a tomada de decisão são a possibilidade ou a restrição de se injetar água ou nata de cimento no subsolo, a interferência da aplicação da estaca nas construções vizinhas e o acesso à base do bloco

Alexandre Novaes

Os edifícios vizinhos não seguiram o mesmo caminho por causa dos custos elevados que envolvem uma obra desse tipo. Calcula-se que os moradores do Núncio Malzoni, que tem 17 andares e 55 m de altura, tenham gasto quase o valor do próprio apartamento para endireitar o prédio.

Na ocasião foram adotadas técnicas distintas em cada uma das duas torres do residencial. Em um dos blocos a estratégia consistiu em reforçar as fundações com estacas raiz, evitando que o recalque aumente. Já no outro conjunto de apartamentos, a opção foi definitiva. O prédio foi reaprumado com macaqueamento feito por cilindros hidráulicos. Associada a essa técnica foram executadas estacas escavadas profundas para evitar novos recalques.

A obra de reaprumo aconteceu entre 1998 e 2001 e teve projeto desenvolvido pelos professores Carlos Eduardo Moreira Maffei, Heloísa Helena Silva Gonçalves e Paulo de Mattos Pimenta, do Departamento de Engenharia de Estruturas e Fundações da Poli-USP.

CRITÉRIO DE SELEÇÃO

A definição da estratégia de intervenção para correção de recalques acentuados em fundações leva em consideração uma série de aspectos, como custo, tipo de solo, urgência do serviço, nível de carregamento e espaço físico disponível.

“Outros fatores que influenciam a tomada de decisão são a possibilidade ou a restrição de se injetar água ou nata de cimento no subsolo, a interferência da aplicação da estaca nas construções vizinhas e o acesso à base do bloco, ou seja, à cota inferior das fundações a serem reforçadas”, comenta Alexandre Novaes.

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